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Somos muitas vezes inundados com perguntas relativas à melhor forma de manter ou usufruir das ervas aromáticas vivas. Quem nunca teve problemas com o seu manjericão ou com os seus coentros? Tem a certeza que a sua hortelã ou até mesmo o seu limonete morreram?

A manutenção e a colheita das ervas aromáticas variam de acordo com a espécie em questão. Factores como o local onde a planta se encontra, (dentro ou fora de casa, num, floreira ou solo), o tipo de vaso, o ciclo de vida da espécie, o modo de colheita e até a origem da planta, influenciam directamente o comportamento da mesma.

De forma a podermos ajudar a manterem as ervas aromáticas vivas e de boa saúde, criámos um espaço com diversas dicas, onde colocamos links explicativos acerca de várias espécies de plantas aromáticas e medicinais e até o modo correcto de preparação das suas infusões preferidas.

Queremos contribuir para que casas, varandas e quintais tenham mais alegria e bons aromas mas sobretudo, que o cultivo e a aplicação das ervas possam proporcionar-lhe prazer! Lembre-se que as melhores ervas do mundo são aquelas que são cultivadas por si e as segundas classificadas…acreditamos serem as nossas!!!

Ficam alguns conselhos úteis sobre algumas ervas aromáticas. Boas plantações!

Equinácea

Echinacea purpurea é uma de diversas espécies de equináceas existentes, espontâneas nos Estados Unidos.

Esta planta é usada desde longa data pelos nativos americanos como medicinal, sendo hoje uma das mais importantes plantas medicinais no ocidente, reconhecidas que são as suas importantes propriedades, activando o sistema imunológico, impedindo as infecções.

Existem diversos medicamentos no mercado à base desta planta, utilizados na profilaxia e tratamento da gripe, rino-sinusites e bronquites, principalmente em doentes com imunidade diminuída.

Apesar de ser vivaz, produz vários rizomas, podendo ficar no solo vários anos. Tolera temperaturas negativas. Como planta ornamental é excelente no jardim pelo seu alto porte, podendo atingir 80-120 cm de altura e 30-45 cm de largura, além de produzir inúmeras flores púrpuras por pé, apresentar floração prolongada, sendo extremamente atraente para as grandes borboletas e outros insectos. A flor tem um leve cheiro a mel. Após a floração, deve cortar-se a parte aérea, para que as plantas fiquem bem estabelecidas de forma a suportarem o Inverno. Em bordadura, forma canteiros absolutamente espectaculares!!!

Gosta de estar em solos ricos em matéria orgânica, bem drenados, ao sol. O excesso de água pode provocar o apodrecimento dos rizomas. Pode também ser cultivada em vasos grandes, no entanto a terra destes deve ser mudada pelo menos de 2 em 2 anos. Depois de vários anos de cultivo na nossa propriedade, onde é produzida em agricultura biológica, não revelou nenhuma doença ou praga séria. Apenas os caracóis podem provocar alguns estragos.

Produz inúmeras sementes com enorme viabilidade germinativa, pelo que a sua propagação é muito simples. Deve ser semeada na Primavera, de preferência num tabuleiro colocado num local protegido, onde a temperatura média ronde os 18º C. A germinação normalmente ocorre entre os 10 e os 20 dias. Quando as plantas tiverem tamanho suficiente, podem ser colocadas no solo, a intervalos de 30-45 cm. Os rizomas bem estabelecidos podem também ser divididos no Outono/Inverno.

O seu cultivo tem vindo a assumir cada vez maior importância, já que até há pouco tempo era colhida no estado espontâneo, encontrando-se as suas populações selvagens em rápido declínio. Após secagem, toda a sua parte aérea e raiz é comercializada para a indústria farmacêutica e outras. Curioso o facto de que a maior parte dos produtos à base de equinácea disponíveis no mercado utilizam a fotografia ou o desenho da flor na sua propaganda.

Infelizmente, não é ainda muito utilizada em jardins no nosso país por não estar disponível no mercado de ornamentais.

Erva-cidreira

A Erva-cidreira (Melissa officinalis) é uma planta vivaz, cultivada ou subespontânea no nosso país, que pode crescer até aos 80 cm de altura e 50 cm de diâmetro.

Foi introduzida há muito tempo na Europa, a partir da Ásia Ocidental, e é vulgar encontrá-la próximo das casas, em caminhos, sebes, taludes, até junto a vinhas. Também conhecida como melissa ou citronela-menor, as suas folhas, quando manipuladas, libertam um forte e agradável aroma a limão doce. Apesar de resistente ao frio, a sua parte aérea pode mesmo desaparecer totalmente durante o Inverno.

Floresce entre Junho e Setembro e as sementes ficam maduras entre Agosto e Outubro. Apesar das suas flores serem muito pequenas, surgem em grande número, sendo por isso uma planta extremamente melífera.

Não apresenta grande dificuldade de adaptação ao pH do solo, podendo ser cultivada em solos ácidos ou alcalinos, soltos, ligeiramente argilosos, húmidos, mas bem drenados. Adapta-se também ao cultivo em vasos e floreiras.

Surge normalmente em zonas ensombradas, situação que prefere, embora se possa cultivar ao sol, se bem que o tamanho e coloração das suas folhas possam variar de acordo com a exposição. Depois de estabelecida, é uma espécie resistente à secura, que poderá ser utilizada nalgumas zonas do jardim, especialmente à sombra, onde muitas vezes é difícil estabelecer outras plantas.

Se encontrar as condições ideais, pode tornar-se invasiva, sendo por isso muito importante nesta situação impedir que desenvolva sementes, cortando a parte aérea da planta. Esta operação permite também renovar caules e folhas, que irá produzir em abundância, interessante para quem gosta de a utilizar em casa. A poda da parte aérea torna-se fundamental também quando a planta é atacada por pragas ou doenças, às quais é particularmente sensível. Ao remover as partes afectadas, limpar a envolvente de partes secas e mortas, prevenindo assim o surgimento dos sintomas que muitas vezes se manifestam, como manchas necróticas, ferrugem, amarelecimento da planta, etc. Também as pragas se instalam com regularidade, principalmente os afídeos e a mosca-branca, sendo preferível em muitas ocasiões o corte da planta, que deve ser sempre rente ao solo.

Fácil de cultivar, é fundamental num jardim de plantas aromáticas, pela diversidade de características que possui. Também representa uma óptima opção em consociação, sobretudo com todo o tipo de couves, pelos seus efeitos benéficos para com estas plantas.

Propaga-se por sementeira, na Primavera. A germinação pode, por vezes, ser lenta. É fundamental que as sementes, que são muito pequenas, fiquem pouco enterradas, pois caso contrário poderão não germinar. Também podemos facilmente dividir os tufos que forma, na Primavera ou no Outono ou propagar por estacaria durante toda a Primavera/Verão.

Utiliza-se a parte aérea da planta na preparação de infusões, com a planta fresca ou seca, embora muitas pessoas refiram utilizá-la fresca, pois a maioria dos preparados comerciais que circulam no mercado são de muito má qualidade, com ausência total de aromas.

Também pode ser utilizada como planta condimentar. As folhas usam-se para dar sabor a saladas de legumes ou frutas.

Com inúmeras propriedades medicinais, é considerada anti-inflamatória, antioxidante, antiviral, digestiva, calmante e sedativa, associada a tratamentos de problemas nervosos, perturbações do sono e problemas gastrointestinais de origem nervosa tais como espasmos, enfartamento e anorexia e ainda no tratamento de febres e constipações. Na pouco conhecida tradição ervanária portuguesa, é considerada uma espécie de panaceia, recordo bem as palavras da minha bisavó, que dizia: “se o menino está doente, dá-lhe um chá de cidreira…” De facto, as propriedades da planta estão bastante estudadas, tendo a indústria farmacêutica em comercialização diversos preparados, não apresentando efeitos secundários, toxicidade ou interacções conhecidas.

Externamente, pode ser esfregada na pele para aliviar picadas de insectos ou mesmo para evitar que estes piquem, já que o seu óleo essencial é um excelente repelente. O óleo essencial é muito utilizado em aromaterapia. A procura da planta seca tem aumentado em toda a Europa, pelo que a sua cotação tem vindo a subir. Representa por isso, no momento, uma excelente opção para cultivo com fins comerciais.

Erva-cidreira

Também conhecida como hortelã-da-ribeira ou alecrim-do-rio, a Mentha cervina foi classificada outrora como Preslia cervina, representando para os botânicos da altura a única espécie do seu género.

É um endemismo ibérico, pelo que representa um património genético e cultural que urge defender, já que esta planta vai rareando na natureza a uma velocidade preocupante. Isto deve-se ao facto de não ser tão competitiva quanto as outras plantas do mesmo género, sendo as populações selvagens facilmente destruídas com a modificação ou destruição do seu habitat natural.

Apesar deste facto, facilmente a podemos cultivar no nosso jardim para depois tirar partido do seu fantástico aroma e das suas particulares propriedades enquanto planta condimentar, praticamente esquecida da tradição gastronómica portuguesa.

Ainda há quem a utilize, normalmente em regiões do interior, como por exemplo, na foz do rio Sabor, onde algumas tascas e restaurantes típicos servem peixes do rio fritos, regados com o molho da erva-peixeira. Também no Alentejo, onde é conhecida como hortelã-da-ribeira, vai sendo utilizada da mesma forma.

Vivaz, como todas as Mentha, a floração ocorre entre Junho e Setembro, produzindo inúmeras flores brancas que atraem insectos úteis em abundância, sendo também uma óptima planta de companhia para tomateiros, couves, alfaces e outras, já que repele certas pragas. Resistente às geadas, prefere solos ricos em matéria orgânica, húmidos, expostos ao sol, embora consiga adaptar-se perfeitamente a situações de sombra. Gosta de ser bem irrigada de Verão. Excelente alternativa para cultivar na proximidade de lagos, zonas húmidas, piscinas biológicas e até em vasos de plantas maiores, como planta de revestimento.

A propagação pode fazer-se por sementeira, na Primavera, embora seja muito mais simples de propagar por estacaria ou divisão de rizomas, em qualquer altura do ano, sendo mais vantajoso fazê-lo desta forma, pois existe forte possibilidade de variabilidade genética quando se efectua a sementeira, já que todas as Mentha hibridam com alguma facilidade.

É sensível a doenças, como o oídio e podridões radiculares, que prejudicam ou destroem mesmo a planta. Uma boa forma de as evitar é podar constantemente a planta de forma a estimular novos crescimentos e manter a boa drenagem no local de plantação.

Utiliza-se a planta inteira, fresca ou seca, na preparação de infusões, que produzem um forte aroma, semelhante ao do poêjo, mas mais rústico, e que tradicionalmente é utilizada como digestivo. Deve colher-se assim que começam a surgir as primeiras sumidades floridas. Também em culinária pode acompanhar saladas, sopas, queijos e molhos.

Tal como no poêjo, a planta seca ou o seu óleo essencial são óptimos repelentes de ratos, que detestam o cheiro. Pode ser utilizada para espalhar em galinheiros, canis ou em zonas de armazenamento de cereais, de forma a mantê-los afastados.

Esta planta está ainda muito pouco estudada quanto à sua constituição e propriedades medicinais, estamos neste momento a apoiar um estudo sobre os seus constituintes voláteis e propriedades antioxidantes, efectuado pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto.

Temos vindo a cultivar esta planta cada vez mais e orgulho-me de poder dizer que estamos a contribuir de forma decisiva para recuperar esta espécie e toda a cultura gastronómica e ervanária em seu torno, já que a tornámos disponível para quem a quiser ter. Além disso, foi já apresentada a potenciais compradores no mercado internacional, que a desconheciam e ficaram espantados com o seu magnífico potencial.

Costumo contar sempre esta história: com o meu primeiro salário, há já alguns anos, decidi cometer uma pequena extravagância: comprar um polvo seco, iguaria difícil de obter, numa das mais bonitas mercearias finas da minha cidade, o Porto. Depois de demolhado, foi grelhado na brasa e servido com um molho feito com erva-peixeira, azeite, alho, sal, malaguetas e um pouco de aguardente. Inesquecível.

Erva-príncipe

A Erva-príncipe (Cymbopogon citratus) surge espontaneamente nas savanas da Índia meridional, Indonésia e Malásia, e é bastante cultivada em África e no Brasil, como planta medicinal e condimentar, fornecendo a indústria cosmética, farmacêutica e alimentar.

Sendo uma gramínea, forma aglomerações robustas (touças) que exalam um forte e agradável aroma a limão. É extremamente rústica e fácil de cultivar, representando uma excelente opção para constituir, juntamente com outras plantas, bordaduras informais em jardins irrigados.

Se cultivada em modo de produção biológico poderá, de acordo com a minha experiência, representar uma interessante fonte de rendimento, pois as suas folhas secas são muito procuradas na Europa por diversas indústrias, embora sempre em grandes quantidades e de boa qualidade.

Infelizmente não tolera temperaturas inferiores a 0 ºC, podendo mesmo morrer. Quando em climas frios, pode ser cultivada facilmente em vasos, para que posteriormente se possa recolher nas épocas mais desfavoráveis.

Na arte culinária asiática, os caules frescos são usados como tempero, especialmente com peixe e carne. Das suas folhas frescas ou secas faz-se uma infusão com um fantástico aroma a limão, sendo esta uma das mais agradáveis surpresas da planta, podendo ser tomada com regularidade pelas suas reconhecidas propriedades digestivas.

As folhas devem ser colhidas 3 a 4 dedos acima do ponto de inserção no caule, para que este possa rebentar novamente e manipuladas com cuidado pois cortam a pele com alguma facilidade. Ter o cuidado de filtrar cuidadosamente as infusões de forma a evitar a passagem dos microfilamentos presentes nas folhas.

Nos últimos 2 anos a procura desta planta em Portugal aumentou muito, sobretudo por criadores de cães que a tem utilizado como repelente de insectos picadores, transmissores de uma terrível doença mortal, a lesmaniose, plantando-a em maciços, na envolvente dos canis. Esta procura deve-se à popularidade das propriedades repelentes do óleo essencial da planta sobre estes insectos, também por vezes designado por óleo de citronela. Este é também utilizado no fabrico de perfumes, sabões, cosméticos e como aromatizante na indústria alimentar.

A sua propagação faz-se apenas por divisão de caules, na Primavera ou no Outono, uma vez que no nosso clima esta planta não produz sementes.

Hortelã-pimenta

Híbrido da Mentha aquatica (hortelã-mourisca) e Mentha spicata (Hortelã-vulgar), a hortelã-pimenta (Mentha x piperita) é originária da região mediterrânica da Europa.

O seu nome científico, “Mentha“, está associado à história da ninfa Menta, da mitologia grega, e do deus Plutão, que, por se amarem muito, despertaram o ciúme de Perséfone. Esta, sentindo-se traída, transformou Menta numa planta destinada a crescer nas entradas das cavernas que davam acesso ao inferno. A palavra “piperita” foi atribuída em alusão ao seu sabor apimentado.

É utilizada há milhares de anos, pelas suas fortes e diversas características aromáticas e medicinais, que a tornam uma das plantas mais versáteis e procuradas do planeta na actualidade.

Exala um fantástico aroma, pelo que se torna indispensável em qualquer jardim, enquanto ornamental, medicinal, aromática e condimentar. Pode fazer-nos companhia num simples vaso ou canteiro, num qualquer recanto, independentemente do tamanho do jardim. Ideal para cativar a atenção das crianças para as plantas, pois é muito associada a diversos produtos alimentares, com o seu aroma forte e mentolado.

Esta planta vivaz nem sempre produz flores. Fornece alguns cortes durante o ano. A sua propagação não deve ser feita por semente, pois estas podem dar origem a indivíduos distintos dos pés-mãe.

Gosta de solos ricos em nutrientes, húmidos, mas bem drenados, ao sol ou sombra parcial. Em condições ideais, pode tornar-se invasiva, pelo que o seu crescimento deve ser frequentemente controlado. O compasso de plantação utilizado pode ser de 30×30 cm.

Alguns insectos podem provocar grandes estragos, tais como a mosca branca e determinados escaravelhos, que surgem especificamente nas mentas. Uma solução de sabão de potássio pode ajudar a combater algumas destas pragas. Também é susceptível a algumas doenças, como o oídio, as podridões radiculares e a ferrugem. Evitar os solos encharcados e podar as plantas com frequência.

Possui inúmeras propriedades, entre as quais são de destacar o facto de prevenir e combater a flatulência, diarreia, vómitos, indigestões, cólicas, e a fadiga em geral. Entra na composição de diversos preparados farmacêuticos de medicina convencional e alternativa.

Muito utilizada a condimentar pratos de carne, manteigas, batatas, saladas e alguns doces, como sobremesas geladas, mousse de chocolate e ponche de frutas. É também utilizada como aromatizante em diversas indústrias, como a dos chocolates, pastilhas elásticas, dentífricos, detergentes, etc. E porque não mexer o café com um ramo fresco de hortelã-pimenta?!!! Experimentem, é delicioso!!!

A infusão forte de hortelã-pimenta é óptima como repelente de pulgas em animais e nas suas instalações. Repele também ratos. Atrai muitas borboletas e outros insectos úteis ao jardim.

A sua infusão, quando fresca, é das poucas bebidas que me refrescam nos dias quentes de Verão. A sua ligação com qualquer tipo de chocolate é perfeita.

Muito cultivada no Norte de África, pelo que faz parte das tradições locais de alguns países servir uma infusão aos visitantes.

Guardo em memória uma frase de um Padre amigo, que há alguns anos atrás, referindo-se às propriedades desta planta, dizia: – O meu povo faz com esta planta um licor a que chamam de “levanta o pau”. E funciona!!!

Hipericão-do-gerês

O Hipericão-do-Gerês (Hypericum androsaemum) talvez seja a única planta portuguesa com o nome de uma região. Não deve ser confundido com outro hipericão (Hypericum perforatum), planta vivaz, com porte e aspecto distintos, muito utilizado como planta medicinal, sendo muito popular como anti-depressivo.

Também conhecido como androsemo, mijadeira, erva-da-pedra ou erva-do-gerês, esta planta surge espontaneamente na Europa Ocidental e Norte de África. No nosso país é espontânea em locais húmidos e sombrios e margens dos rios do Minho, Beiras e Estremadura.

É um arbusto vivaz, com caules erectos e folhas simples, produzindo uma toiça com rebentos folhosos, de crescimento abundante. Pode atingir facilmente 1 metro de altura e 60-80 cm de diâmetro.

Floresce entre Junho e Setembro e apresenta inúmeras flores amarelas, que evoluem em frutos que podem apresentar várias cores distintas ao longo do processo de maturação. As sementes estão prontas a colher em Setembro.

Prefere solos ácidos, húmidos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e gosta de estar em locais sombrios, embora se adapte a uma boa exposição solar.

Apresenta excelentes características como ornamental, sendo actualmente muito utilizada em vários países, em taludes, zonas sombrias e húmidas, junto a cursos de água, e em composição de maciços silvestres, juntamente com outras plantas, em associações vegetais. Pode ser cultivada em vasos e floreiras.

Depois de esmagadas, as folhas libertam um cheiro forte e característico. Utiliza-se toda a parte aérea em infusão. Muito usado em doenças do fígado, cólicas e cistites. É um excelente diurético. Também pode ser utilizado externamente em queimaduras e contusões. Não tem contra-indicações nem efeitos secundários conhecidos. A infusão pode ser tomada 2 a 3 vezes por dia.

A propagação faz-se por sementeira, na Primavera ou por estacaria durante toda a Primavera/Verão. Curiosamente, nalguns anos a semente apresenta elevada percentagem de germinação, noutros essa baixa consideravelmente.

É particularmente afectada por pragas e doenças, sobretudo a ferrugem e os afídeos, que podem provocar estragos consideráveis. Costumo colher a planta assim que apresenta os primeiros sintomas da doença, minimizando assim os seus estragos. Quanto aos afídeos, uma solução de sabão de potássio costuma resolver o problema.

A colheita faz-se cortando a planta próximo do solo, promovendo assim nova rebentação em abundância. Podem ser realizados 2 a 3 cortes/ano.

Muito colectada na região do Gerês, infelizmente tem vindo a desaparecer, fruto desta apanha intensiva e desregrada. Poderá mesmo vir a correr risco de conservação se o ritmo da apanha continuar, sem qualquer tipo de preocupação pelas populações silvestres, apesar de existirem regras estabelecidas pelo Parque Nacional, que determinam quantidades máximas por colector e outras regras que visam a manutenção das populações espontâneas.

Poderá representar uma boa opção como planta de cultivo em pequenas e médias áreas, dada a sua procura no mercado nacional, graças ao seu comprovado interesse como planta medicinal.

Hortelã vietnamita

Limonete

Possuindo diversas sinonímias, tais como lúcia-lima, bela-luísa, cidrila, doce-lima, erva-luísa, pessegueiro-inglês, é uma planta que não deixa ninguém indiferente. Designada botanicamente como Aloysia triphylla, surge espontânea na Argentina, Chile e Perú. Introduzida na Europa no séc. XVIII, o seu nome foi atribuído em honra a Maria Louisa, princesa de Parma.

Pouco tolerante ao frio, não deixa de ser uma excelente alternativa no jardim, pelo fino recortado das suas folhas e pelo forte e doce aroma a limão que liberta. É, sem dúvida, a minha planta aromática favorita.
Podendo atingir uma altura de 200-300 cm e uma largura equivalente, quando não podada, forma por vezes arbustos magníficos que aparentam ter uma idade superior à que na realidade tem, por apresentar caules muito lenhificados e contorcidos.

É um arbusto de folha caduca, podendo atingir mais de 20 anos. Floresce normalmente entre Junho e Setembro, apresentando minúsculas flores brancas em panículas. Gosta de estar em solos leves, bem drenados, ao sol.

Não produz sementes viáveis no nosso país, pelo que a sua propagação só é possível por estacaria e esta nem sempre é fácil, sobretudo quando a efectuamos com material do ano anterior. A taxa de sucesso aumenta quando se utiliza material herbáceo, em plena Primavera/Verão. Nos últimos anos tem vindo a instalar-se nos viveiros uma praga designada mosca do terriço, que deposita os seus ovos nos substratos, de onde emergem as larvas que atacam sobretudo material lenhoso ou semi-lenhoso, provocando enormes estragos. É muito difícil de combater, mesmo com os pesticidas convencionais. Este ano ensaiámos um ácaro parasitóide específico para o combate desta praga, juntamente com armadilhas cromotrópicas amarelas e barreiras físicas e os resultados foram muito animadores, tendo a taxa de sucesso da propagação aumentado consideravelmente.

A nossa exploração tem instalado o maior cultivo em modo de produção biológico do país desta planta, superando as 12.000 plantas, permitindo obter anualmente uma produção de algumas toneladas de material seco que visa sobretudo a exportação. A parte mais bem paga é a folha, que obriga no entanto a muita mão-de-obra.

Deve ser podada algumas vezes no ano para que mantenha sempre novos crescimentos e um aspecto equilibrado e saudável. A poda é fundamental para formar a planta podendo esta proporcionar ao longo do tempo maior quantidade de material/m2. É normal efectuarem-se 4 cortes/ano.

Sensível ao oídio e a podridões radiculares. Evitar regas molhando as folhas e o excesso de água no solo. A mosca branca e os afídeos podem provocar estragos sérios. Não vou esquecer mais o ataque de afídeos que tivemos esta Primavera, eram aos milhões espalhados por toda a plantação. Desanimado e a preparar uma solução de sabão de potássio para os combater, eis que chega o exército mais bonito que vi na vida: milhões de reluzentes e esfomeadas Joaninhas que em muito pouco tempo LIMPARAM por completo os afídeos, sem que restasse um. Para mim, um verdadeiro milagre que só a mãe natureza pode mesmo proporcionar. Avistámos larvas de Joaninhas, decidimos então atrasar o corte alguns dias para que estas se pudessem formar por completo. Assim que partiram, colhemos. Garantimos desta forma uma geração seguinte desta amiga, que para o ano estará seguramente do nosso lado outra vez.

Quanto às propriedades medicinais, a sua infusão extremamente agradável auxilia a digestão, além de ter propriedades calmantes e sedativas. Usada em aromaterapia para combater problemas digestivos e nervosos. O seu óleo essencial é insecticida e bactericida

As folhas secas são utilizadas em pout-pourris, frescas em saladas e sobremesas de fruta. Excelente a aromatizar geleias, azeites e vinagres. Os seus rebentos verdes são óptimas alternativas para embelezar e perfumar ramos de flores. Não se deve tomar a infusão de forma repetida pois possui um alcalóide que, em excesso, poderá causar perturbações gástricas.

Representa uma excelente opção para o jardim, podendo ser cultivada em vasos mas preferencialmente no solo e perto de um local de passagem, de forma a presentear-nos com o seu fantástico aroma, como se nos quisesse recordar que está ali, a nossa favorita.

Salva

A salva (Salvia officinalis) é um subarbusto perene, originário da região mediterrânica oriental, cultivado em todo o globo há milhares de anos. Por vezes surge como subespontâneo em Portugal. É uma das mais espantosas plantas medicinais que a humanidade tem ao dispor, sendo por isso também uma das mais estudadas. Notáveis os estudos em decurso que demonstram como pode retardar o processo de envelhecimento e ser utilizada com sucesso no tratamento da doença de Alzheimer.

Também conhecida como erva-santa, erva-sacra, chá-de-frança, chá-da-europa, salva-das-farmácias ou salva mansa, é muito bonita enquanto planta ornamental, revelando-se fundamental num jardim, para quem quiser tirar partido das suas propriedades medicinais e culinárias. No entanto, não se adapta bem ao cultivo em vasos pequenos, perecendo com facilidade. Cresce cerca de 60 cm de altura e diâmetro equivalente, sendo resistente à geada, produzindo folhas durante todo o ano. Prefere solos arenosos, bem drenados, neutros ou alcalinos. Deve ser cultivada em locais com boa exposição solar.

Tolera a secura, representando uma excelente opção para jardins de baixa manutenção. Floresce entre Maio e Julho e as suas sementes ficam prontas entre finais de Agosto e Setembro. Muito procurada por abelhas e outros insectos melíferos. O seu cultivo na horta, em consociação com outras espécies, repele uma série de pragas, entre as quais a borboleta-branca da couve.

Necessita de ser podada ao longo do ano de forma a prevenir o envelhecimento precoce e estimular novas rebentações. Tende a degenerar com o tempo e deve ser substituída no jardim ao fim de 3 ou 4 anos.

A propagação pode ser efectuada por sementeira, em Março/Abril. As jovens plantas surgem normalmente ao fim de 2 a 3 semanas. A estacaria também é possível, ao longo de todo o ano.

Quando na presença de excesso de água no solo, as suas raízes tendem a apodrecer rapidamente, levando à morte súbita da planta. Em situações de stress, torna-se sensível a pragas, como as cochonilhas. Estas podem ser removidas com a poda intensa da planta.

Muitos especialistas afirmam que a salva-purpúra (Salvia officinalis ‘Purpurascens’) é a variedade mais potente, relativamente às suas propriedades medicinais, enquanto a salva-flores-brancas (Salvia officinalis ‘Albiflora’) é mais interessante para culinária, graças às suas folhas maiores. Existem ainda mais variedades disponíveis, mas uma das minhas favoritas para ter no jardim é a Salva ‘Icterina’, pelas suas folhas bicolores e pelo óbvio contraste que promovem com o resto da vegetação.

As folhas frescas podem ser utilizadas para limpar os dentes, simplesmente esfregando a página superior, mais rugosa, para conseguir o efeito. Passadas por polme de farinha e ovo e levemente fritas em azeite, podem ser comidas como peixinhos da horta vegetarianos. As flores de todas as variedades são comestíveis.

As folhas possuem um aroma forte e pungente, sendo muito populares na cozinha. São utilizadas com frequência em comidas mais pesadas, como carnes gordas, pratos de forno, etc, pelas suas propriedades digestivas.

A infusão das folhas secas ou frescas actua sobre o aparelho digestivo, além de ser utilizada como tónico e estimulante hepático ou para melhorar a circulação. As suas propriedades anti-sépticas tornam-na efectiva em gargarejos. A planta é também utilizada em casos de lactação excessiva, suores nocturnos, salivação excessiva, transpiração excessiva, ansiedade, depressão, esterilidade feminina e problemas relacionados com a menopausa.

A sua colheita deve ser feita antes da floração. Recomenda-se para uso interno a infusão de 1 colher de sobremesa da planta seca por chávena, 3 chávenas por dia, durante 2 a 4 semanas. Pode tornar-se tóxica quando tomada por períodos mais prolongados.

Externamente é utilizada para tratar picadas de insectos, infecções da pele e corrimento vaginal. Nestes casos deve colocar-se 30 a 40 gr/l de planta seca e ferver durante 10 minutos e aplicar sob a forma de compressas, lavagens ou banhos de assento. As folhas, quando aplicadas sobre um dente infectado, aliviam as dores.

O seu óleo essencial é usado para o fabrico de dentífricos, fixador de perfumes, aromaterapia e diversos tipos de cosméticos. Não indicada a mulheres grávidas ou pessoas epilépticas.

Tomilho Bela-luz

Thymus mastichina, também conhecido como sal-puro, é o mais fantástico de todos os tomilhos que conheço. Com o seu aroma fresco, forte e canforado, é uma planta exclusiva da Península Ibérica, um endemismo ibérico.

Existem vários estudos científicos sérios sobre a composição dos óleos essenciais desta planta, nacionais e internacionais, mas infelizmente é ainda um recurso genético menosprezado no nosso país, o mesmo não acontecendo na vizinha Espanha, onde é largamente colhido para a indústria dos óleos essenciais, que os consomem um pouco por todo o mundo, por isso lhe chamam ingleses e franceses tomilho espanhol.

Vive em solos pedregosos, arenosos, em matos. Coloniza bordaduras e taludes de estradas, campos de cultivo abandonados, um pouco por todo o país. Como planta ornamental, tem um enorme potencial, pois é arbustivo, de porte mais elevado do que a maioria dos tomilhos e na altura da floração produz abundantemente umas cabeças esféricas carregadas de pequenas flores brancas, que lhe dão um encanto especial.

Pode atingir uma altura de 40-70 cm e largura equivalente. Tolera temperaturas negativas. É perene, extremamente resistente às condições mais adversas do solo e clima. A floração ocorre de Maio a Setembro.

Gosta de solos bem drenados, expostos ao sol. Não gosta de excesso de humidade, podendo esta levar à sua morte. É fundamental que seja podado várias vezes ao ano para que se mantenha forte e vigoroso, caso contrário lenhifica muito na base e acaba por ficar muito feio ou morrer precocemente. Vive bem ao nível do mar.

Após vários anos de cultivo, nunca apresentou sintomas de qualquer praga ou doença. Adapta-se perfeitamente ao cultivo em vasos e floreiras e ao convívio com outras plantas, desde que esteja sempre ao sol, condição essencial para crescer vigorosamente.

Toda a planta pode ser utilizada. Considerado digestivo e expectorante, tem propriedades anti-sépticas e anti-inflamatórias. Muito utilizado em aromaterapia como relaxante, desinfectante, promotor do sono, a inalação dos vapores após infusão das folhas ajuda a descongestionar as vias nasais. A infusão bebida tem resultados óptimos nas constipações e gripes.

As folhas são usadas em culinária para adicionar a pratos de carne, mas também a enchidos, queijos, arroz, etc. O seu óleo essencial é utilizado na indústria alimentar para aromatizar sopas e preparados de carne.

Substitui eficazmente o sal na alimentação. Devido às suas propriedades relaxantes, o óleo essencial não deve ser utilizado antes de conduzir ou noutras actividades que exijam concentração.

Não posso deixar de mencionar o meu grande professor de herbologia, Prof. José Ribeiro, que encantava os alunos com os seus relatos entusiastas sobre as suas propriedades condimentares, que considero tão ricas, que todas as carnes, enchidos, queijos e vinhos velhos lá em casa, são consumidas utilizando um pouco de bela-luz.

Inigualável no mundo dos tomilhos e incomparavelmente superior, é nosso, é português, vale a pena conhecer.

Tomilho-limão

Híbrido variável entre o tomilho-poêjo (Thymus pulegioides) e o tomilho-vulgar (Thymus vulgaris), o tomilho-limão (Thymus x citriodorus) apresenta folhas verdes ou, no caso de algumas variedades, amarelas ou brancas e verdes, que encantam quem as cultiva.
Excelente para utilizar em vasos e floreiras e a delimitar bordaduras de jardins, possuindo um período de floração alongado e espectacular, atraindo diversos insectos polinizadores. É presença essencial em qualquer jardim de cheiros.

Com uma altura de 25-30 cm e um diâmetro até 60 cm, é um arbusto perene, semi-lenhoso, apresentando pequenas flores brancas ou ligeiramente rosadas, que aparecem durante o Verão.

Gosta de solos bem drenados, com boa exposição solar, adaptando-se mesmo em solos muito secos. Os Invernos muito chuvosos e os terrenos encharcados podem contribuir para que apodreçam e morram precocemente. Deve ser podado logo a seguir à floração, de forma a evitar que lenhifique na base, mantendo-se vigoroso e saudável por muito mais tempo. É uma óptima planta de companhia para as outras plantas no jardim.

Torna-se sensível ao oídio e a podridões radiculares, quando ocorrem excessos de água na rega, evitar regar nas horas de maior calor, não molhando as folhas da planta neste período. Podar com frequência se o crescimento for muito vigoroso. Dado ser um híbrido, a sua sementeira pode dar origem a plantas com características heterogéneas, sendo por isso preferível efectuar a propagação por estacaria.

Toda a planta pode ser colhida em qualquer altura do ano, de preferência antes da floração e utilizada, fresca ou seca, produzindo uma óptima infusão, pouco utilizada no nosso país. Quando descoberta, passa a ser obrigatória, pelo seu fantástico aroma. O óleo essencial é considerado menos irritante do que o de outros tomilhos e é muito utilizado em aromaterapia para combater asma e outros problemas respiratórios, especialmente em crianças.

As folhas são utilizadas para condimentar pratos de peixe, aves e saladas. Podem ser secas e misturadas com outras plantas em poutpourri. É uma planta muito popular em culinária, exalando um forte aroma a limão, razão pela qual é cultivado em todo o mundo.

Uma característica interessante de observar é que, após a secagem, as folhas se destacam facilmente dos caules, o que torna o seu valor comercial para exportação superior, quando vendidas desta forma. Temos alguns milhares de pés em plantação, em compassos de 30x30x30 cm (camalhões de um metro de largura) que providenciam cerca de quatro cortes/ano. Estes podem ser mecanizados, mas a sensibilidade para o corte por parte do operador deve ser grande, pois cortes muito rentes provocam a morte da planta.

O mercado internacional procura neste momento grandes quantidades desta planta seca, sobretudo da folha, certificada em modo de produção biológico, o que a torna uma excelente alternativa para quem pretende produzir novos e competitivos produtos na agricultura nacional.

Plantação doméstica de ervas aromáticas

Aprenda a fazer uma infusão

Somos muitas vezes inundados com perguntas relativas à melhor forma de manter ou usufruir das ervas aromáticas vivas. Quem nunca teve problemas com o seu manjericão ou com os seus coentros? Tem a certeza que a sua hortelã ou até mesmo o seu limonete morreram?

A manutenção e a colheita das ervas aromáticas variam de acordo com a espécie em questão. Factores como o local onde a planta se encontra, (dentro ou fora de casa, num, floreira ou solo), o tipo de vaso, o ciclo de vida da espécie, o modo de colheita e até a origem da planta, influenciam directamente o comportamento da mesma.

De forma a podermos ajudar a manterem as ervas aromáticas vivas e de boa saúde, criámos um espaço com diversas dicas, onde colocamos links explicativos acerca de várias espécies de plantas aromáticas e medicinais e até o modo correcto de preparação das suas infusões preferidas.

Queremos contribuir para que casas, varandas e quintais tenham mais alegria e bons aromas mas sobretudo, que o cultivo e a aplicação das ervas possam proporcionar-lhe prazer! Lembre-se que as melhores ervas do mundo são aquelas que são cultivadas por si e as segundas classificadas…acreditamos serem as nossas!!!

Ficam alguns conselhos úteis sobre algumas ervas aromáticas. Boas plantações!

As nossas Infusões BIO