Na capa do Público e da Fugas

2012 tem sido um ano de grandes mudanças no panorama da futura agricultura portuguesa. A prová-lo, os milhares de projectos apresentados em sucessivas candidaturas ao PRODER, nas mais diversas áreas deste sector, num movimento sem par na história do quadro comunitário. Há quem diga que é da crise, da falta de emprego ou de oportunidades, outros que fruto da conjuntura, romantismos outrora recalcados emergem.
Há quem pense, como eu, que para além destes factores conjugados, está a dar passos largos uma nova revolução, a do indivíduo, que lentamente toma consciência da forma como o mundo que o rodeia e do qual depende, está a evoluir. E de que não é superior a tudo isso, antes faz parte de um emaranhado complexo de relações que permitem a sua existência nesta espécie de milagre incrível que é o nosso hospedeiro, o planeta Terra.
Apesar de tudo, a maior parte destes novos rurais tem um longo caminho a percorrer, de investimento, resiliência, preserverança, criatividade, trabalho duro, capacidade de organização, pessoal e colectiva.
Alimento a esperança de ver o meu país a produzir da Terra múltiplos produtos, de qualidade superior e em quantidade suficiente para fazer face aos mercados mais exigentes, interna e externamente. Para isto ser possível, e além dos múltiplos factores inerentemente óbvios para que qualquer projecto chegue a bom porto, é necessário amar o que fazemos, amar o que é nosso, apostar de alma e coração naquilo em que acreditamos.
Hoje mais um jornal de referência publica nas suas capas uma caixa sobre agricultura, as plantas aromáticas e o trabalho que temos desenvolvido ao longo dos últimos 10 anos. Só este ano, é a quarta vez que o assunto é capa.
Enche-nos de orgulho pensar em todos aqueles que já ajudamos a instalar como agricultores nesta e noutras áreas, e que fazem parte da nova vaga de agricultores/cavalheiros/seres humanos de consciência crescente, que apostam tudo numa forma de estar verdadeiramente sustentável, privilegiando outros valores que não só os materiais. Enche-nos de orgulho saber que, de forma pró-activa, temos contribuído para a mudança.