Banco de Terras vai permitir a uma nova geração entrar na agricultura

O objectivo desta proposta é evitar o abandono das áreas rurais e da agricultura. Há muitas terras abandonadas e há muita gente que pretende dedicar-se à agricultura. Sobretudo uma nova geração de gente qualificada e disposta a dedicar-se à agricultura, mas que não tem terras, apesar delas existirem e estarem abandonadas, tendo capacidade agrícola.

O Banco Público de Terras faz aquilo que qualquer outro banco fará: no caso de alguém que tem uma poupança, pretende depositá-la no banco obtendo um rendimento e mantém a sua titularidade ao mesmo tempo que a poderá reaver quando assim o entender. É a mesma coisa no Banco Público de Terras: o proprietário da terra não a pode agricultar por qualquer razão, entrega-a ao Banco que a arrenda a quem está interessado em cultivá-la. O proprietário obtém um pequeno rendimento em função desse contrato de arrendamento e poderá reavê-la depois nos termos desse contrato.

Isto vai permitir a uma nova geração entrar na agricultura, o redimensionamento das propriedades agrícolas já existentes, ao mesmo tempo que colmatará o abandono das áreas rurais e do interior do território. O abandono das áreas do interior tornam os incêndios florestais mais difíceis de combater e mais prolongados no tempo, como vimos aliás nas últimas semanas em Portugal. Não havendo vigilância nem preocupação com a floresta, nem ocupação dos territórios do interior, nomeadamente nos territórios de montanha, é evidente que os fogos podem deflagrar com maior facilidade.

Esta recuperação das terras abandonadas terá um carácter preventivo em relação aos fogos florestais, permitirá a humanização desses territórios do interior e será um importante factor na prevenção, na vigilância e combate aos fogos e também no ordenamento das terras agrícolas do interior.

A Galiza tem uma estrutura de propriedade muito próxima do Norte do nosso país e percebe-se que o Banco Público de Terras funciona como uma garantia pública sobre a propriedade da terra e também como mediador para o seu arrendamento. Julgamos que é uma excelente solução, já o provou na Galiza e seria importante que no nosso país também viesse rapidamente a estar em plena execução.

Artigo original disponível aqui.

Botânicos apresentam lista com as 4000 espécies de plantas de Portugal

O Vale de Chelas, em Lisboa, vai receber já a partir do segundo semestre de 2011 o maior parque hortícola urbano do País. O projecto já arrancou e deverá albergar mais de seis hectares e meio de hortas. Aliás, o parque hortícola terá perto de 15 hectares, sendo 6,5 destes destinados às hortas. Para já, serão criados cerca de 400 talhões, cada um com 150 metros quadrados de área.

De acordo com o vereador do Ambiente Urbano e Espaços Verdes, José Sá Fernandes, uma parte destes talhões será atribuída directamente aos cerca de 100 hortelãos que já ocupam o local. Os restantes 300 ficam reservados para um concurso público que se realizará no próximo ano. A construção da primeira fase do projecto arrancou com a modelação do terreno, o reforço e protecção das encostas, a abertura de caminhos principais e a introdução de uma rede de distribuição de água, com bocas de rega.

A câmara vai também colocar vedações nas hortas, definir caminhos entre elas, colocar plantas, arbustos de bordadura, disponibilizar alfaias e casas de arrumo e, mais tarde, instalar também um equipamento infantil e um quiosque com esplanada. Finalmente, segundo Sá Fernandes, outro dos objectivos da iniciativa é promover “ a interacção social e a consciência comunitária”, permitindo às famílias de uma zona carenciada o consumo de frescos ou até a venda localizada de alguns produtos.

Banco de Terras vai permitir a uma nova geração entrar na agricultura
O objectivo desta proposta é evitar o abandono das áreas rurais e da agricultura. Há muitas terras abandonadas e há muita gente que pretende dedicar-se à agricultura. Sobretudo uma nova geração de gente qualificada e disposta a dedicar-se à agricultura, mas que não tem terras, apesar delas existirem e estarem abandonadas, tendo capacidade agrícola.

O Banco Público de Terras faz aquilo que qualquer outro banco fará: no caso de alguém que tem uma poupança, pretende depositá-la no banco obtendo um rendimento e mantém a sua titularidade ao mesmo tempo que a poderá reaver quando assim o entender. É a mesma coisa no Banco Público de Terras: o proprietário da terra não a pode agricultar por qualquer razão, entrega-a ao Banco que a arrenda a quem está interessado em cultivá-la. O proprietário obtém um pequeno rendimento em função desse contrato de arrendamento e poderá reavê-la depois nos termos desse contrato.

Isto vai permitir a uma nova geração entrar na agricultura, o redimensionamento das propriedades agrícolas já existentes, ao mesmo tempo que colmatará o abandono das áreas rurais e do interior do território. O abandono das áreas do interior tornam os incêndios florestais mais difíceis de combater e mais prolongados no tempo, como vimos aliás nas últimas semanas em Portugal. Não havendo vigilância nem preocupação com a floresta, nem ocupação dos territórios do interior, nomeadamente nos territórios de montanha, é evidente que os fogos podem deflagrar com maior facilidade.

Esta recuperação das terras abandonadas terá um carácter preventivo em relação aos fogos florestais, permitirá a humanização desses territórios do interior e será um importante factor na prevenção, na vigilância e combate aos fogos e também no ordenamento das terras agrícolas do interior.

A Galiza tem uma estrutura de propriedade muito próxima do Norte do nosso país e percebe-se que o Banco Público de Terras funciona como uma garantia pública sobre a propriedade da terra e também como mediador para o seu arrendamento. Julgamos que é uma excelente solução, já o provou na Galiza e seria importante que no nosso país também viesse rapidamente a estar em plena execução.

Artigo original disponível aqui.

Botânicos apresentam lista com as 4000 espécies de plantas de Portugal
Interessante notícia esta publicada na página ecosfera. Uma equipa de 18 botânicos trabalhou três anos para criar a primeira lista de referência das plantas de Portugal. O inventário “limpou” repetições e nomes que vão mudando com o tempo e chegou ao número total de 3995 espécies.

À partida, fazer a lista das plantas de Portugal pode parecer coisa fácil. Mas não é. Foram três anos a estudar várias obras de referência – desactualizadas e regionais -, um autêntico labirinto por entre várias centenas de espécies.

Miguel Sequeira, presidente da ALFA (Associação Lusitana de Fitossociologia) – entidade que elaborou a lista -, explicou ao PÚBLICO alguns dos problemas. “Por um lado temos as espécies que, ao longo do tempo, foram adquirindo nomes diferentes e, por outro há plantas que têm várias nomenclaturas, conforme a região. E depois temos de ter o cuidado de não esquecer nenhuma espécie”. O botânico admite que “nem sempre é fácil descobrir onde estão as repetições“.

A equipa, de várias universidades, definiu um conjunto de critérios e deitou mãos à obra, criando a primeira lista que tem todas as plantas vasculares – autóctones, endémicas e introduzidas – e que inclui todo o território nacional. Agora, pode dizer-se com segurança que estão listadas no Continente 3314 espécies, 1006 no Arquipélago dos Açores e 1233 na Madeira. É esta região que alberga o maior número de endemismos (espécie que não existe em mais nenhum lugar), com 157. Nos Açores esse número chega aos 78 e no Continente aos 150.

E se existem espécies “comprovadamente extintas por território” – nomeadamente três endemismos na Madeira e um nos Açores – e outras de que não se conhece o paradeiro há cem anos, também é verdade que nas últimas décadas a galeria de plantas de Portugal tem sido aumentada por espécies exóticas. De acordo com esta lista, existem 412 espécies introduzidas no Continente, 710 nos Açores e 435 na Madeira.

Miguel Sequeira explica o número mais elevado nas ilhas com a pressão humana. “No Continente, os habitats já estão saturados e não permitem tanto a entrada de plantas novas como nas ilhas“.

Lurdes Carvalho, do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade – entidade que coordenou o projecto – salientou que esta lista “permite tirar uma fotografia” da flora portuguesa, com muito “trabalho de actualização, clarificação e uniformização”. A responsável lembrou que “aquilo que existia eram listas que não reuniam todos os elementos necessários, nem estavam actualizadas. Esta é uma listagem definitiva“.

Ainda assim, deverá ser revista e actualizada anualmente. Além disso, acrescentou Lurdes Carvalho, há várias espécies que deviam agora merecer uma atenção mais profunda, nomeadamente as plantas com potencialidades medicinais, de estabilização de taludes e de margens dos cursos de água.

A ideia do ICNB é também que esta lista ajude a preparar elementos de apoio à tomada de decisão em conservação da biodiversidade. “Estão agora reunidas as condições para lançar um trabalho de identificação de acções de conservação, no sentido de preservar as espécies com maior relevância em termos de necessidade de protecção“.

O próximo passo será a produção da Lista Vermelha da Flora de Portugal, à semelhança do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, publicado em 2005.